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    11 de Janeiro, 2021

    Papa no Angelus: Deus se manifesta quando a misericórdia aparece

    A Igreja celebrou neste domingo, 10, o Batismo do Senhor. Em sua alocução, o Papa Francisco explicou o porquê Jesus Cristo se batizou, ainda que não precisasse.

    Neste domingo, 10, dia em que a Igreja Católica celebra o Batismo do Senhor, o Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus diretamente da Biblioteca do Palácio Apostólico.

    Em sua alocução, o Santo Padre começou a explicar sobre o Evangelho dominical, comparando as celebrações dos últimos domingos. O Papa disse que poucos dias atrás, na Solenidade da Epifania, Jesus foi visitado pelos Reis Magos e, no Evangelho deste domingo, o encontramos já adulto. “Hoje, o encontramos como adulto nas margens do Jordão. A Liturgia nos faz dar um salto de cerca de trinta anos, trinta anos dos quais sabemos uma coisa: foram anos de vida escondida, que Jesus transcorreu em família, alguns anos no Egito, como migrante para fugir da perseguição de Herodes, outros em Nazaré, aprendendo a profissão de José, obedecendo aos pais, estudando e trabalhando”.

    Ainda falando sobre a vida de Jesus, Francisco ficou admirado sobre a maneira que Cristo vivenciou entre nós e disse que é uma bela mensagem para nós. “É impressionante que a maior parte do tempo do Senhor na Terra foi passado desta maneira, vivendo a vida de todos os dias, sem aparecer. Pensamos que segundo os Evangelhos foram três anos de pregação, de milagres e muitas coisas. Os outros anos foram de vida escondida na família. É uma bela mensagem para nós: nos revela a grandeza do cotidiano, a importância aos olhos de Deus de cada gesto e momento da vida, mesmo o mais simples e escondido”.

    Jesus salva vindo ao nosso encontro

    Por que Jesus se batizou? O Pontífice explicou o motivo do Batismo de Jesus, ainda que Ele não precisasse; foi uma escolha. “Depois desses trinta anos de vida oculta, começa a vida pública de Jesus. E começa com o seu batismo no Rio Jordão. Jesus é Deus. Por que Jesus vai se batizar? O batismo de João consistia num rito penitencial, era um sinal da vontade de se converter, de ser melhor, pedindo o perdão dos pecados. Jesus certamente não precisava disso. De fato, João Batista tenta se opor, mas Jesus insiste. Por quê? Porque ele quer estar com os pecadores. Por isso, entra na fila com eles e realiza o mesmo gesto deles. E o faz com um comportamento do povo, com uma atitude do povo, que como diz um hino litúrgico, com a alma nua, sem cobrir nada, assim, pecador. Este é o gesto que Jesus faz e entra no rio para se imergir em nossa mesma condição. O batismo, de fato, significa precisamente ‘imersão’. No primeiro dia de seu ministério, Jesus nos oferece o seu ‘manifesto programático’”. Segundo o Pontífice, Jesus “nos diz que não nos salva do alto, com uma decisão soberana ou um ato de força, um decreto, não: Ele nos salva vindo ao nosso encontro e tomando sobre si os nossos pecados. É assim que Deus vence o mal do mundo: abaixando-se e assumindo”, disse.

    Deus se manifesta na obra de misericórdia

    Na ocasião, o Papa Francisco instruiu os fiéis a levar a vida da mesma maneira como Jesus, isto é, não julgando, não intimando, dizendo-lhes o que fazer. Mas, fazendo-se próximo, compadecendo e compartilhando o amor de Deus. “A proximidade é o estilo de Deus em relação a nós. Ele mesmo disse isto a Moisés. Pensem: qual povo tem seus deuses tão próximos como vocês tem a mim? A proximidade é o estilo de Deus para conosco”, disse o Santo Padre.

    Referindo-se ao Evangelho, Francisco sublinhou que “depois deste gesto de compaixão de Jesus, acontece uma coisa extraordinária: os céus se abrem e a Trindade finalmente se revela. O Espírito Santo desce em forma de pomba e o Pai diz a Jesus: «Tu és o meu Filho amado»”.

    “Deus se manifesta quando a misericórdia aparece”. Esse foi o lembrete de Francisco neste domingo. “Não se esqueçam disso!”, reforçou o Papa. De acordo com o Santo Padre, Deus se manifesta quando a misericórdia aparece, porque esse é o seu “rosto”. Assim, Jesus se torna o servo dos pecadores e é proclamado Filho; Ele se abaixa sobre nós e o Espírito desce sobre Ele. O amor chama o amor, e isso é válido também para nós. “Em cada gesto de serviço, em cada obra de misericórdia que fazemos, Deus se manifesta, Deus pousa o seu olhar sobre o mundo. Isso vale para nós.”, disse.

    Identidade de "misericordiados"

    Ainda segundo o Papa, mesmo antes que façamos qualquer coisa, a nossa vida é marcada pela misericórdia que se pousou sobre nós. “Fomos salvos gratuitamente. A salvação é grátis”.

    Para o Pontífice, é o gesto gratuito da misericórdia de Deus para conosco. Sacramentalmente, isto se realiza no dia do nosso Batismo, mas também os que não são batizados recebem a misericórdia de Deus sempre, porque Deus está ali, espera. Espera que as portas de seus corações se abram. “Se aproxima, permito-me dizer, nos acaricia com a sua misericórdia”, comentou o Papa.

    Francisco concluiu sua alocução, pedindo a Nossa Senhora para que “nos ajude a salvaguardar a nossa identidade, ou seja, a identidade de ser “misericordiados” que está na base da fé e da vida”.


    Fonte: Amex, com Vatican News