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    04 de Janeiro, 2021

    "Acolher Jesus em família, que nos ama nas nossas fragilidades", diz Papa

    Papa Francisco disse que Jesus existia antes do aparecimento da vida em sua alocução que precedeu a oração mariana do Angelus neste domingo, 3 de janeiro.

    Neste domingo, 3, o Papa Francisco rezou o Angelus na biblioteca do Palácio Apostólico, seguindo as medidas de restrição por causa da pandemia. Aqui no Brasil, a Igreja celebrou a Solenidade da Epifania do Senhor com o Evangelho (Mt 2,1-12), o qual fala sobre os três Reis Magos que vieram adorar o Menino Jesus em Belém. Em sua alocução, o Pontífice precedeu a oração mariana com a reflexão do Evangelho de João (1,1-18), que nos fala sobre Jesus antes dEle nascer, revelando algo sobre Jesus antes que viesse entre nós.

    Desde o princípio, a Palavra

    Francisco enalteceu, através da liturgia do dia, que Jesus existia antes do aparecimento da vida, “antes do início das coisas, antes do universo, antes de tudo. Ele existe antes do espaço e do tempo”. O Papa recordou que São João o chama de “Palavra”, que tem a força da “comunicação”, que significa falar sobre algo com alguém. “O fato de Jesus ser desde o princípio a Palavra significa que, desde o início, Deus quer se comunicar conosco, quer falar conosco”, disse.

    Para o Santo Padre, uma comunicação que reflete “a beleza de ser filho de Deus”, de sermos amados. O Papa recordou a mensagem deste domingo. “Jesus é a Palavra, a Palavra eterna de Deus, que sempre pensou em nós e quer se comunicar conosco”. 

    Das palavras se fez carne

    Francisco afirmou que, para fazer isso, Jesus foi além das palavras, como o próprio Evangelho diz “se fez carne e habitou entre nós” (v.14): “Se fez carne: por que São João usa esta expressão, ‘carne’? Não poderia dizer, de maneira mais elegante, que se fez homem? Não, usa a palavra carne, porque ela indica a nossa condição humana em toda sua vulnerabilidade, em toda sua fragilidade. Ele nos diz que Deus se fez fragilidade para tocar de perto as nossas fragilidades. Portanto, desde que o Senhor se fez carne, nada em nossa vida é estranho para Ele. Não há nada que Ele desdenhe; tudo podemos compartilhar com Ele, tudo. Querido irmão, querida irmã, Deus se fez carne para nos dizer, para dizer que lhe ama ali mesmo, que nos ama ali mesmo, nas nossas fragilidades, nas suas fragilidades; ali mesmo, onde a gente mais se envergonha, onde você mais se envergonha.”

    O Papa afirmou que essa é uma decisão “audaz de Deus”, de se fazer carne justamente onde nós mais nos envergonhamos. Francisco recordou, assim, que ao se fazer carne, Deus “não voltou atrás”. “Não pegou a nossa humanidade como uma roupa, que se veste e se tira. Não, nunca mais se desprendeu da nossa carne […]. E nunca mais vai se separar: agora e para sempre Ele está no céu com o seu corpo de carne humana. Ele se uniu para sempre à nossa humanidade; poderíamos dizer que se ‘casou’ com ela. [..] O Evangelho diz, na verdade, que veio habitar entre nós. Ele não veio nos fazer uma visita e depois foi embora, veio para habitar conosco, para estar conosco.”

    Acolher Jesus na nossa fragilidade

    Francisco finalizou a oração mariana do Angelus, pedindo justamente à Santa Mãe de Deus, “em quem a Palavra se fez carne”, que nos ajude a acolher Jesus, “que bate à porta do coração para habitar conosco”. O que Deus deseja de nós realmente, acrescenta o Papa, é uma grande intimidade. “Ele quer que compartilhemos com Ele alegrias e dores, desejos e medos, esperanças e tristezas, pessoas e situações. Façamos isso, com confiança: abramos o coração a Ele, vamos contar tudo a Ele. Façamos uma pausa em silêncio diante do presépio para saborear a ternura de Deus feito próximo, feito carne. E, sem medo, convidemos Ele para a nossa casa, na nossa família e também – cada um conhece bem – vamos convidá-Lo nas nossas fragilidades. Vamos convidá-Lo para que veja as nossas feridas. Ele virá e a vida vai mudar.”

    Por: Amex, com Vatican News