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    21 de Dezembro, 2020

    Papa Francisco diz que o consumismo nos sequestrou o Natal

    “Realize-se em mim a tua palavra”. O Papa Francisco convidou, no Angelus deste domingo, 20, a dizer “sim” a Deus, como assim o fez Maria. O Santo Padre também alertou sobre a importância do Natal: Jesus Cristo, e não o consumismo.

    No Angelus deste domingo, 20, IV Domingo do Advento, o Papa Francisco propõe novamente seguirmos o “sim” de Maria, como dito no Evangelho. “Hoje, às portas do Natal, Maria nos convida a não adiar, a dizer ‘sim’. Cada ‘sim’ custa, mas é sempre menos que o custo para ela daquele corajoso e pronto ‘sim’, aquele ‘faça-se em mim segundo a tua palavra’ que nos trouxe a salvação”.

    “Alegra-te, conceberás um filho, o darás à luz e o chamarás Jesus” (Lc 1,28-31). Na leitura do Santo Evangelho, Francisco explicou que este parece ser um anúncio de pura alegria, destinado a fazer a Virgem feliz. “Quem entre as mulheres da época não sonhava em se tornar a mãe do Messias?”, perguntou o Pontífice na alocução que precedeu a oração mariana. O Papa também disse que, junto com a alegria, houve também uma grande provação, pois naquele tempo, pela Lei de Moisés, não deveria haver relações de coabitação e Maria, por sua vez, estava “prometida em casamento” a José. A Santa Mãe de Deus arriscou tudo para seguir os desígnios do Pai.

    Maria disse "sim" a Deus, arriscando tudo

    O Santo Padre prosseguiu sua alocução, explicando que, tendo um filho, Maria teria transgredido a Lei, e as penalidades para as mulheres eram terríveis: era previsto o apedrejamento. Certamente a mensagem divina encheu o coração de Maria de luz e força; contudo, ela se viu diante de uma escolha crucial: dizer "sim" a Deus, arriscando tudo, inclusive sua vida, ou recusar o convite e seguir seu caminho comum.

    Francisco ressaltou que Maria disse seu “sim”, com um forte desejo. “O que ela fez? Responde assim: ‘Faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1,38). Mas, na língua em que o Evangelho é escrito, há mais que isso. A expressão verbal indica um forte desejo, a vontade firme de que algo se torne realidade”, disse.

    Em outras palavras, Maria não diz: "Se deve acontecer, que aconteça..., se não pode ser feito de outra forma...". Não, não expressa uma aceitação fraca e remissiva, mas um desejo forte e vivo. Não é passiva, mas ativa. Não é subjugada por Deus, adere a Deus. É uma enamorada disposta a servir a seu Senhor em tudo e imediatamente. Poderia ter pedido um pouco de tempo para pensar sobre isso, ou maiores explicações sobre o que aconteceria; talvez estabelecer alguma condição... Ao invés, não toma tempo, não faz Deus esperar, não adia”, afirmou o Papa.

    Os adiamentos em nossa vida

    Francisco observou os adiamentos em nossas vidas. “Quantas vezes nossa vida é feita de adiamentos, inclusive na vida espiritual! Sei que é bom para mim rezar, mas hoje não tenho tempo; sei que ajudar alguém é importante, mas hoje não posso. Amanhã o farei, isto é, nunca”, observou Francisco.

    Tendo ressaltado o “sim” incondicional de Maria que nos trouxe a salvação, o Santo Padre perguntou quais “sim” podemos dizer. “E nós, quais ‘sim’ podemos dizer? Neste tempo difícil, em vez de nos lamentarmos do que a pandemia nos impede de fazer, façamos algo por aqueles que têm menos: não o enésimo presente para nós e para nossos amigos, mas para um necessitado em quem ninguém pensa!”.

    Não nos deixemos levar pelo consumismo

    E antes da oração mariana do Angelus, o Papa deixou-nos outro conselho: “para que Jesus nasça em nós, preparemos o coração, rezemos, não nos deixemos levar pelo consumismo. ‘Ah, tenho que comprar presentes, tenho que fazer isto, isto...’. Aquele frenesi de fazer coisas, coisas, coisas... o importante é Jesus. Consumismo: o consumismo, irmãos e irmãs, nos sequestrou o Natal. O consumismo não está na manjedoura de Belém: ali está a realidade, a pobreza, o amor. Preparemos o coração como o de Maria: livre do mal, acolhedor, pronto para receber Deus".

    "Faça-se em mim segundo a tua palavra". É a última frase da Virgem neste último domingo do Advento, e é o convite para dar um passo concreto em direção ao Natal. “Porque se o nascimento de Jesus não toca a vida, passa em vão.” No Angelus nós também diremos agora: "realize-se em mim a tua palavra": que Nossa Senhora nos ajude a dizê-lo com a vida, disse o Papa, concluindo, antes da oração mariana.

    Por: Amex, com Vatican News